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Disfunção erétil
 
Publicada em 05/10/2010 22h32

Disfunção sexual masculina vulgarmente chamada de impotência afeta milhões de homens no mundo inteiro em diversas idades.

O grau da disfunção, circunstâncias, conflitos e ambiente psico-social são os aspectos que serão levados em consideração na hora de se fazer o diagnóstico e escolha do melhor tratamento.

A disfunção erétil é considerada a disfunção mais comum nos homens e ao mesmo tempo a que é menos tratada. Entendida como a incapacidade de ter ou manter ereção satisfatória para o ato sexual, também pode ser caracterizada quando ocorre a perda da ereção em certas posições durante o coito, sendo de duração superior a três meses. Quando é ocasional não se caracteriza como disfunção erétil, sendo, na maioria dos casos, provocada por um alto nível de ansiedade.

O fato do homem apresentar tal quadro não significa que ele seja infértil ou incapaz de ejacular. É importante verificar que a disfunção erétil pode ocorrer mesmo quando o desejo e o orgasmo permaneçam presentes. A ‘responsabilidade’ pelo fato da ereção ser algo tão visível e sem meios termos gera uma grande ansiedade. A ereção é um dos fatores mais importante da sexualidade masculina, já que muitos, para se sentirem homens, baseiam-se nela e na capacidade de manter o pênis ereto.

Assim, é muito comum homens que não conseguiram manter a ereção, relembrarem da situação na tentativa seguinte e ficarem esperando por um novo fracasso desenvolvendo um circulo vicioso. Uma das grandes protagonistas desse enredo é a pornografia “fácil” que é veiculada hoje em dia onde atores representam performances sexuais mágicas. Toda essa cobrança – externa e interna – pode gerar uma ansiedade quase maníaca ao homem que busca sempre um desempenho invejável.

Ao olharmos para algumas décadas atrás, percebe-se que evoluímos muito em matéria de descobertas sexuais, mas ao se falar em sucesso terapêutico não pode-se ter garantias pela substituição da química da atração e desejo entre os casais. Ou seja, mesmo que os laboratórios consigam descobrir substancias químicas que substituam a ereção natural existem coisas em matéria de sexo impossíveis de serem inventadas.


CAUSAS DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Acreditava-se erroneamente que a disfunção erétil fosse conseqüência do inevitável processo de envelhecimento e apenas de origem psicológica. Hoje sabe-se que a idade pode ser um fator relacionado porém nunca como fator desencadeante.

Talvez seja interessante entender como funciona a ereção antes de se pensar na causa:

Sem que haja estímulo, o pênis se mantêm relaxado e só começa a intumescer quando algum gatilho erótico é disparado (seja por visão, cheiro, memória ou toque).

Esse processo é desencadeado por mecanismos nervosos e vasculares onde tal reação é controlada pela testosterona. O cérebro reage levando à abertura de válvulas e dos vasos do pênis, possibilitando que mais sangue flua para dentro do órgão e assim, o pênis torna-se rígido.

Enquanto isso, veias internas são submetidas a compressão restringindo a saída desse sangue. Qualquer falha em tal complexo mecanismo envolvendo os vasos sanguíneos do corpo e o sistema nervoso, pode levar a deficiência na qualidade da ereção. 

Distúrbios Físicos - Tais causas podem estar ligadas ao uso de certos medicamentos para a pressão alta, além das próprias características da hipertensão ou ainda como conseqüência da diabetes que pode provocar lesões neurológicas nos terminais nervosos do pênis, algumas doenças degenerativas como é o caso da Doença de Peyronie que provoca o endurecimento de certas áreas do pênis. Além disso, algumas medicações podem desencadear tal quadro como efeito colateral.

A questão hormonal também é muito importante assim como o uso de drogas como a maconha, heroína, cocaína e anti-depressivos e o uso abusivo de álcool.
 

Questões Psicogênicas - Proveniente do aspecto emocional do homem, sua historia de vida e traumas além da situação que é vivida no momento, levando em conta o estresse e a ansiedade. Questões como comportamento sexual compulisvo, parafilia, falta de controle voluntário da ejaculação, dispareunia e inadequação sexual do casal, podem afetar o processo eretivo.


Esses fatores podem aparecer tanto isolados como em conjunto, dependendo da idade, da cultura, da origem familiar, nível socioeconômico atual, entre outras coisas. Deve-se sempre pensar em conjunto. As questões vão estar ligadas a educação, traumas psicológicos, infância, as primeiras experiências sexuais, a relação com os pais, momento de crise ou grandes alterações e questões ligadas a algumas doenças que vão desde distúrbios do humor até depressão.


TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Muitos tratamentos começam com uma visita ao andrologista ou urologista que vai acompanhá-lo na pesquisa das condições atuais dos vasos penianos com alguns exames simples e pesquisa hormonal. Ao mesmo tempo em que o paciente está sendo submetido a exames físicos para checar alguma espécie de causa física, o ideal é que ele tenha um acompanhamento feito por um psicólogo especializado para que também seja pesquisado e entendido os aspectos emocionais resultantes da disfunção erétil. O trabalho do sexólogo vai desde o informativo até o esclarecimento, podendo ocorrer também um trabalho em conjunto com orientação ao par.

Alguns exames específicos como dosagens hormonais e avaliação do fluxo sangüíneo no pênis através de ultra-sonografia (com um método chamado cavernosograma por Doppler), onde se observa através de uma imagem colorida o fluxo sanguíneo peniano, podem ser realizados.

A possibilidade de qualquer tipo de doença orgânica deve ser afastada e avaliada para que se tenha um encaminhamento psicológico onde as questões emocionais poderão ser expostas de forma “limpa”. Mesmo assim, é bom ressaltar que mesmo que o distúrbio seja de causa orgânica, o psicológico muitas vezes também se encontra afetado. Alguns especialistas simpatizam com um tratamento a base de injeções intracavernosas. Mas alguns cuidados devem ser tomados como o tempo das ereções (que não devem ultrapassar 6 horas, com risco de priapismo e coagulação sanguínea intracavernosa), a freqüência das aplicações (que não deve ser superior a 3 vezes na semana com risco de fibrose e hematomas) e dosagem a ser utilizada (que deve ser a menor possível).

É preciso tomar cuidado com a administração de alguns remédios orais. Eles não afetam diretamente a ejaculação, o orgasmo ou a libido, permitindo a ereção desde que haja um estimulo sexual. Porém, é preciso estar ciente dos possíveis efeitos colaterais e contra indicações. O tratamento da disfunção erétil depende basicamente da causa do seu desencadeamento, seja da doença que a causou ou especificamente da disfunção. Deve-se ter cuidado para as soluções mágicas que o mercado tem apresentado para tal problema onde as pessoas no auge da aflição se sujeitam a coisas absurdas.

OBJETIVO DA TERAPIA

O objetivo da terapia é combater a ansiedade existente, desmistificando o valor cultural a que é dada muitas vezes a ereção. A maioria dos homens acredita que há algo errado no seu corpo, sem compreender que podem estar envolvidos nas causas da questão. Desejam que seus problemas tenham tratamento médico, preferencialmente através de pílulas, sem que se comprometam a mudar de estilo de vida ou cultivar o relacionamento. A sexualidade vai além do pênis ereto. O homem – o casal – precisa estar disposto, disponível para o encontro sexual. Afinal, sexualidade é carinho, é toque, é viver a espontaneidade. Não é obrigação nem cobranças – externas ou internas. Entrega e relaxamento podem ser os caminhos que estavam faltando.

O tratamento de qualquer disfunção sexual deve ser acompanhado por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual quer sejam a anatomia e fisiologia da resposta sexual, assim como os seus estágios.



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