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Hemorróidas
 
Publicada em 05/10/2010 22h14

Ao contrário do que muitos pensam, as hemorróidas são estruturas anatômicas normais, mas que podem trazer problemas como desconforto, irritação e sangramento anal quando alteradas.

A doença hemorroidária está muito associada com a constipação intestinal, dentre outros fatores. Pode ser tratada com medidas conservadoras ou, quando mais graves, por cirurgia.

A expressão hemorróidas é freqüentemente utilizada para definir as mais variadas afecções anorretais e seus sintomas. Na realidade as hemorróidas são estruturas anatômicas normais encontradas em todas as faixas etárias. São vasos sanguíneos que formam uma espécie de coxim localizadas no segmento anorretal (4cm distais do intestino).

As hemorróidas se tornam sintomáticas como resultado de atividades que aumentam a pressão venosa, resultando em distensão e ingurgitamento. A diarréia crônica, constipação intestinal, ficar sentado por tempo prolongado, gravidez, obesidade, e dieta pobre em fibras podem contribuir para seu aparecimento. Com o tempo, a distensão e o aumento desses coxins venosos podem resultar em sangramento ou protrusão das hemorróidas.

Quais os sintomas da doença hemorroidária?

Os principais problemas atribuídos à doença hemorroidária são o sangramento, eliminação de muco e desconforto anal.

O sangramento anal é geralmente vermelho vivo e sempre relacionado com as evacuações. A hemorragia é freqüentemente esporádica e em forma de raias nas fezes. Raramente leva a anemia. Quando presente em menor quantidade, é percebida apenas durante a higiene anal.

Inicialmente as hemorróidas são confinadas ao canal anal. Com o passar do tempo, elas podem crescer e prolapsar pelo canal anal, primeiramente o prolapso ocorre durante a evacuação e retorna espontaneamente, posteriormente podem permanecer cronicamente protuídas. As hemorróidas cronicamente protuídas podem resultar em produção excessiva de muco e conseqüente irritação e coceira anal.

O desconforto anal é, geralmente, decorrente do edema local e ingurgitamento venoso, observado mais freqüentemente em pessoas que fazem muito esforço evacuatório. Já a presença de dor anal às evacuações não é comum, aparecendo apenas na presença de complicações (hematoma perianal, trombose e tromboflebite hemorroidária), ou na associação com outras afecções anorretais, como abscesso e fissura anal.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve ser suspeitado pela presença dos sintomas acima expostos. Deve ser lembrado que a doença hemorroidária raramente acomete crianças e adolescentes e portanto, a presença de sangramento anal nessa faixa etária não deve ser atribuída primariamente à hemorróida e, sim, à presença de pólipos ou à fissura anal.

O diagnóstico é confirmado pelo exame proctológico com retossigmoidoscopia, podendo ser necessária a realização de colonoscopia para excluir outras doenças associadas, como o câncer colorretal, especialmente nos pacientes com mais de 40 anos de idade.

Tratamento

Como citado anteriormente, as hemorróidas fazem parte da anatomia humana normal e, portanto, necessitam de tratamento apenas quando sintomáticas. A terapêutica a ser instituída dependerá do tipo de sintoma apresentado, da sua gravidade, assim como do grau de intensidade do prolapso. Inúmeros tratamentos clínicos ou cirúrgicos podem ser empregados na abordagem de pacientes com doença hemorroidária, cabendo ao proctologista experiente encontrar o mais eficiente para cada caso.


Tratamento conservador:

O tratamento clínico está indicado para aqueles pacientes com sintomas discretos e esporádicos, com longos períodos sem a presença dos sintomas, que não se constituem em problema sério para o paciente.

Nas gestantes, principalmente no terceiro trimestre, quando exacerbados os sintomas dessa enfermidade, o tratamento deve ser conservador, exceção feita nos casos de complicações que não melhoram apesar da medicação instituída. As pessoas com outros problemas mais graves de saúde também devem ser manejadas de modo conservador.

Os principais princípios do tratamento da doença hemorroidária consistem em:

Medidas dietéticas: recomenda-se a ingestão de dieta rica em fibras (dose diária de 20 a 25g/dia), que inclua verduras cruas e cozidas, legumes, frutas, como mamão, laranja com bagaço, e farelo ou germe de trigo. Além do regime alimentar, é de extrema importância à ingestão de líquidos (1,5 a 2,0 litros/dia) e evacuar sempre que sentir o desejo de fazê-lo. A supressão do álcool, pimentas e condimentos, dada a sua ação irritante sobre as mucosas, e de alimentos constipantes (farináceos, banana-maçã, maçãs, pêra etc.) constitui medida necessária para evitar novas crises.


Cuidados locais: abolir o uso de papel higiênico, substituindo-o pela higiene através de banho de assento com água morna. Caso ocorra insucesso com as medidas alimentares adotadas para regularização do hábito intestinal, pode-se usar substâncias que aumentam o bolo fecal, como o psilium, fruto de sene, metilcelulose, semente de plantago ou outros preparados à base de sementes.

Uso de pomadas e supositórios anestésicos, para alívio temporário do desconforto local. Não devem ser utilizadas por períodos prolongados, pois pode causar irritação.

Uso de medicamentos, como a diosmina, que aliviam os sintomas locais, principalmente nas crises.

Nas hemorróidas que não respondem satisfatoriamente ao tratamento medicamentoso e às medidas higienodietéticas, outros métodos conservadores, porém invasivos, têm sido utilizados, como escleroterapia, ligadura elástica, crioterapia, fotocoagulação (Infrared) e diatermia bipolar.

Tratamento cirúrgico:

Atualmente, calcula-se que o tratamento cirúrgico seja reservado para cerca de 10% a 20% das pessoas com doença hemorroidária, sendo a maioria (80%-90%) adequadamente tratada pelas modalidades terapêuticas conservadoras – medidas clínicas, escleroterapia, ligadura elástica e outros.

A escolha pela conduta cirúrgica nos portadores de hemorróidas crônicas deve ser individualizada, baseando-se na intensidade dos sintomas e no impacto que os mesmos causam no estilo de vida do paciente, resposta às medidas conservadoras de tratamento, coexistência de outras afecções orificiais que apresentem indicação cirúrgica e aceitação do paciente ao método cirúrgico.



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